Friday, February 03, 2006

De uma noite de Dezembro (6):



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Passavas hoje por mim, anónima.
Subiste, enfileirada, na escada da distracção que escolheste, por vontade ou falta dela. Gostaria de te dizer que sorri por dentro, ou de te ter sorrido por fora. Não fiz nenhuma das coisas. Não repudiei. Acenei, quase sombrio, ao silêncio, e a noite fez-se continuar de noite. Não gritei, portanto, nem para fora nem para dentro, não tinha o que gritar, para quê? Não alimentei o teu escárnio do superficial, a tua retirada dos sentidos assentes, o teu lado político em regime dividido, no intervalo entre o desejo de austero e o mero constatar entrecortado, sem grande espírito. Fechei, a menos de frestas, a porta a psico-dramas de suposições. Lá no alto do teu caminho recto olhaste-me, num após. Interpelaste-me. Fomos, casuais, e lá voltámos um outro tanto. De tudo isto, só espero uma coisa: que naquelas fracções de segundo que parecem queixas infinitas não me tenhas odiado. O resto é vago e incontornável de tão eu.
De novo abandonado pelo meu sentido estático e marginal.

1 Comments:

Blogger R Marcial P said...

Que bonito.
A fugacidade e força do sentimento. A ante-saudade, o constatar de que nem tudo é possivel, mas talvez continue belo assim.
(para ker ao som de Secos e Molhados - Rosa de Hiroshima)

6:09 AM  

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