De uma noite de Dezembro (5):


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Pois afinal é sempre tão simples apanhar um solavanco e transformá-lo no nosso novo embalo de fingir... E quase esquecer tudo, embora esteja sempre lá, no tilintar do gesto. E as horas... Meu Deus as horas! Uma vontade enorme de chorar vastidão. Um sonho sem noite, sem espaço, sem tempo. Os restos. As conotações dos sempres mergulhando em convulso. Uma vontade de pegar na guitarra e esperar que ela me absorva o choro e o pensamento. A dócil madrugada quase calma. Uma divertida lotaria de palavras de sempre, dos gestos escritos de sempre, apenas baralhados de forma diferente mas os naipes esses não mudam nunca.
Adoro-te, alguém como eu. Sejamos tudo, tu que não ouves, e eu que não sou. Adoro-te chorosamente. Esta noite és tu.
Mas não vale a pena perder estes abraços, se nada há. Mas valerá a pena guardá-los ou será uma falsa missão disfarçada? Não sei bem, pode ser apenas o estancar anti-pervasividade de certas respostas descontroladas e gritantes na sua surdina stressada. Mas haverá correlação? Já não sei bem. Mas haverá alguma sim. Acredito por agora que sim, sem intuição, mas com uma vaga lembrança sem essência da conclusão propriamente dita. Mas este sou eu, à partida, pelo menos na medida em que não há aqui grandes enleios de projecção pretenciosa expectante de um âmbito de reconhecimento social de alguma espécie. Ou é só o querer repetir as frases que já ouvi, os estigmas institucionalizados num determinado enquadramento? O encontrar-me a que estou curvado resumir-se-à ao revolver bibliotecas de outros faladores, outros seres adjuntos, sem concretamente, mas sim ao género subentendido por algum estrato e que eles representavam, nos padrões de entoação, construção e escolha de prioridade semântica? Mas não... se o que eu busco é um afastar-me de fugas e regras, o fraseio nesse sentido é um passo secundário. A importância está no quanto de advento é colocado nessa vertente. Para tal, minimizar assim é automaticamente ressequir demandas de falsidade e focalizar o bem-estar e descontracção, gradual evidentemente, pois não se manda na mente, modera-se-la ciclicamente, verga-se-la amigavelmente. Poetiza-se a distracção após cada algo necessário enquanto sentido. Escolhas e refinamentos sem maior drama ilusório que o do riso ou do sorriso. Ainda bem que existe tal, suponho. Mesmo que possa não se estar disposto a reconhecê-lo, dada a fatalidade, é contudo necessariamente uma regalia que de outra forma se lamentaria não existir, por omissão. Assim o especulo, pequenos requintes como os que passaram e passarão.


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Pois afinal é sempre tão simples apanhar um solavanco e transformá-lo no nosso novo embalo de fingir... E quase esquecer tudo, embora esteja sempre lá, no tilintar do gesto. E as horas... Meu Deus as horas! Uma vontade enorme de chorar vastidão. Um sonho sem noite, sem espaço, sem tempo. Os restos. As conotações dos sempres mergulhando em convulso. Uma vontade de pegar na guitarra e esperar que ela me absorva o choro e o pensamento. A dócil madrugada quase calma. Uma divertida lotaria de palavras de sempre, dos gestos escritos de sempre, apenas baralhados de forma diferente mas os naipes esses não mudam nunca.
Adoro-te, alguém como eu. Sejamos tudo, tu que não ouves, e eu que não sou. Adoro-te chorosamente. Esta noite és tu.
Mas não vale a pena perder estes abraços, se nada há. Mas valerá a pena guardá-los ou será uma falsa missão disfarçada? Não sei bem, pode ser apenas o estancar anti-pervasividade de certas respostas descontroladas e gritantes na sua surdina stressada. Mas haverá correlação? Já não sei bem. Mas haverá alguma sim. Acredito por agora que sim, sem intuição, mas com uma vaga lembrança sem essência da conclusão propriamente dita. Mas este sou eu, à partida, pelo menos na medida em que não há aqui grandes enleios de projecção pretenciosa expectante de um âmbito de reconhecimento social de alguma espécie. Ou é só o querer repetir as frases que já ouvi, os estigmas institucionalizados num determinado enquadramento? O encontrar-me a que estou curvado resumir-se-à ao revolver bibliotecas de outros faladores, outros seres adjuntos, sem concretamente, mas sim ao género subentendido por algum estrato e que eles representavam, nos padrões de entoação, construção e escolha de prioridade semântica? Mas não... se o que eu busco é um afastar-me de fugas e regras, o fraseio nesse sentido é um passo secundário. A importância está no quanto de advento é colocado nessa vertente. Para tal, minimizar assim é automaticamente ressequir demandas de falsidade e focalizar o bem-estar e descontracção, gradual evidentemente, pois não se manda na mente, modera-se-la ciclicamente, verga-se-la amigavelmente. Poetiza-se a distracção após cada algo necessário enquanto sentido. Escolhas e refinamentos sem maior drama ilusório que o do riso ou do sorriso. Ainda bem que existe tal, suponho. Mesmo que possa não se estar disposto a reconhecê-lo, dada a fatalidade, é contudo necessariamente uma regalia que de outra forma se lamentaria não existir, por omissão. Assim o especulo, pequenos requintes como os que passaram e passarão.

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