De uma noite de Verão:



=== === ===
As memórias que me esqueço de esquecer são pregos que perfuram a minha vontade própria de ser alguém, não o próprio ninguém que atesta vontades. Recordações de dores que amordaçam a voz que manda calar o militar estático e sofregamente disciplinado em paradas civis, estandarte vivo de uma ditadura sem país. Forças invisíveis que reforçam o betão de um muro invisível, entre imaginações pomposamente simples, acessos de raiva branda na sua impotência, esquissos de honra-estima crivada de manchas-consciência e outros produtos da repetitiva repetição de diversidades nunca verdadeiras enquanto palco de mim, falsas sempre enquanto telas das projecções do não-ser, longa metragem sem os princípios e fins, ou mesmo os meios, atleta sem pistas planas ou acidentadas, eco asfixiado num sítio sem acústica.
Surgem calmas compreensivas de ânsias presentes, ânsias de calmas ausentes, e intervalos sem nexo ou descrição. Depois, surgem sinais do mundo, demonstrações mundanas do tique-taque sem compasso que perfaz os algos, numa banalidade exemplar enquanto escasseia de resto. A observação, a eventual busca da eventualidade de contrapôr algum algo, as sensações semi-livres sob a remota hipótese de despertar. Contempla-se, vêm mais tique-taques, ainda carregados de grãos de acção, potencial alpista para o pássaro pouco alado. As memórias alimentam agora a reviravolta neste torneio sem freio que é a cavalgada interior em campos com poucas espigas de milho do passado, obrigando a uma ceifa eficaz. A necessidade é saltar do corcel, num grito em forma de frase, gesto ou mesmo grito, mas sem queda, pois não há alturas nem vertigens numa voz, só no seu após. É preciso lembrar ao alpinista em queda livre que tem uma corda e pode parar de cair, e retornar à sua condição de pensador funcional do próximo rochedo a pisar, expectante mas só semi. Mas e o topo, que nos atira à cara a sua distância, intangibilidade ridícula pois desperta-nos o tacto, falta de nitidez agreste na sua imóvel cegueira de não nos ver a visão.
Mera indiferença de tudo, e a diferença que isso suscita, nas equações diferenciais da alma sem certeza. Mas novo tique-taque é um bom pretexto para resfolegar, tentando não cair na armadilha de o julgar como os outros. Este é menos promissor, não por ser diferente dos outros, apenas dada a minha passageira tendência à incredulidade do então. Sabendo os riscos, olha-se com menos alento, sem apelar a esperanças impossíveis num instante marcadamente retraído, sem espaço para marcas que me retratem. Desse conformismo ressurgem desejos, ou melhor, desejozinhos que abrem novas frestas nas portas várias, mais conclusivamente ou menos, mas libertadoras (claro que meras partículas de um universo de casas, potencialmente cidade acolhedora, segura e imprevísivel). E desses se parte para a faixa seguinte deste disco-mescla de nada nos tudos dos excessos de constatações e antecipações, com os algos nos pequenos nadas que nhé nhé nhé



=== === ===
As memórias que me esqueço de esquecer são pregos que perfuram a minha vontade própria de ser alguém, não o próprio ninguém que atesta vontades. Recordações de dores que amordaçam a voz que manda calar o militar estático e sofregamente disciplinado em paradas civis, estandarte vivo de uma ditadura sem país. Forças invisíveis que reforçam o betão de um muro invisível, entre imaginações pomposamente simples, acessos de raiva branda na sua impotência, esquissos de honra-estima crivada de manchas-consciência e outros produtos da repetitiva repetição de diversidades nunca verdadeiras enquanto palco de mim, falsas sempre enquanto telas das projecções do não-ser, longa metragem sem os princípios e fins, ou mesmo os meios, atleta sem pistas planas ou acidentadas, eco asfixiado num sítio sem acústica.
Surgem calmas compreensivas de ânsias presentes, ânsias de calmas ausentes, e intervalos sem nexo ou descrição. Depois, surgem sinais do mundo, demonstrações mundanas do tique-taque sem compasso que perfaz os algos, numa banalidade exemplar enquanto escasseia de resto. A observação, a eventual busca da eventualidade de contrapôr algum algo, as sensações semi-livres sob a remota hipótese de despertar. Contempla-se, vêm mais tique-taques, ainda carregados de grãos de acção, potencial alpista para o pássaro pouco alado. As memórias alimentam agora a reviravolta neste torneio sem freio que é a cavalgada interior em campos com poucas espigas de milho do passado, obrigando a uma ceifa eficaz. A necessidade é saltar do corcel, num grito em forma de frase, gesto ou mesmo grito, mas sem queda, pois não há alturas nem vertigens numa voz, só no seu após. É preciso lembrar ao alpinista em queda livre que tem uma corda e pode parar de cair, e retornar à sua condição de pensador funcional do próximo rochedo a pisar, expectante mas só semi. Mas e o topo, que nos atira à cara a sua distância, intangibilidade ridícula pois desperta-nos o tacto, falta de nitidez agreste na sua imóvel cegueira de não nos ver a visão.
Mera indiferença de tudo, e a diferença que isso suscita, nas equações diferenciais da alma sem certeza. Mas novo tique-taque é um bom pretexto para resfolegar, tentando não cair na armadilha de o julgar como os outros. Este é menos promissor, não por ser diferente dos outros, apenas dada a minha passageira tendência à incredulidade do então. Sabendo os riscos, olha-se com menos alento, sem apelar a esperanças impossíveis num instante marcadamente retraído, sem espaço para marcas que me retratem. Desse conformismo ressurgem desejos, ou melhor, desejozinhos que abrem novas frestas nas portas várias, mais conclusivamente ou menos, mas libertadoras (claro que meras partículas de um universo de casas, potencialmente cidade acolhedora, segura e imprevísivel). E desses se parte para a faixa seguinte deste disco-mescla de nada nos tudos dos excessos de constatações e antecipações, com os algos nos pequenos nadas que nhé nhé nhé

0 Comments:
Post a Comment
<< Home