Friday, August 17, 2007

De finais de Março ou princípios de Abril de 2006:


=== === ===
Começo a pensar e desdigo-me, ao não dizer nada. Os pensamentos atropelam-se censuras.
Desabotoo-me e derivo pela nudez que treme de frio e dôr-chicotes.
Faço argh, muitas vezes. O dia nasceu, morreu e nem passei de uns breves espasmos de próprio, rapidamente alheado pelo acontecimento duradoiro e falso por dentro.
Chateio-me. Não me fiz entender, nem me fiz tomar atitudes por aí e além. Que pelo menos diga isto ou aquilo a aquele ou aquel'outro... Não me contento com o esquecimento e a espera neste compasso a meia quimera do impasse em que atordôo de ter difuso o pensamento, vaga, quase ausente, a emoção, escuro, quase morto, o próprio. Quem está a escrever isto? Esta agitação de estar semi-expectante do môrno ciclo de alma dispersa, semi-propulsionado a recuperar, reajustar um algo indefinido que reside no convívio e na expressão concreta, ainda que remetida a peripatética, disparatada, nesta concepção tão ansiosa e metade.
Devo aceitar o sono, mas não devo aceitar o sono.
Devo aceitar a pessoa com sono que foi a pessoa de outras ocasiões, noutras medidas, há pouco, mas o suficiente para não o ser agora; a pessoa transportando outras relíquias sem o ser, e precisamente por isso preciosas neste sentido nocturno de ares densos, vibrantes. Virar a página, dormir e acordar.
De fins de Março, este poema previamente transcrito neste lugar.


De Março de 2006 (está complicado recordar-me da ordem original dos bocados de texto... a transcrição pode por isso não estar ideal):


=== === ===
Aquando do cenário crítico, uma das fases. Tantas diferenças vividas...
À calma da lâmpada escrevo isto, que norma geral demonstro por mal-entendidos, o primeiro instante em que por meramente distraído me deixo somar ou subtrair por esses passos, respostas ou gestos de reacção inexplicável contrabalanceada pela ora inconclusa, ora evasiva vergonha de si mesma.
O passo alheado em preocupações sente-se observado em velocidades e é a cruz de querer-vos falar, a extinção da flexibilidade na comunicação, materializada no torpor de uma quebra no pensar, na lentidão constrangedora do instalar-se um quase vácuo emocional que absorve o sentido de presença até restarem as sombras. Por vezes resisto, mas por alarmado já, e portanto sem o sangue-frio para emergir de imensos impasses dos nervos. E o que fica? Os destroços pessoais de um cérebro contraposto a si mesmo (sem que o esteja pensando, está-lo sentindo), e a renovada consciência da importância de sublinhar a irrelevência dos deslizes, o errado que é o sentir-me assim a mais do momento (i.e., o cuidado de não extrapolar), o valor que me tenho (postular a incompreensão ou precipitação, do mundo ou da minha sua conceptualização àquele instante crítico como as causas daquilo que é mais um estado, entidade variável e rica).
De Março de 2006:


=== === ===
Esta desorientação em meu ser é enorme.
Não por ser maior que as outras, mas por consistir na incapacidade de a descrever dada a descoordenação que ela mesma em mim induz.
Enfim...
Permiti-me sonhar umas coisas ali por uns tempos, já com as ressalvas do atemporal e da reduzida importância, da baixa prioridade face ao zelo, grosso modo. Por outro lado, a construção foi entretanto ocupada por este outro âmbito, o da universidade, e é essa agora a pouca importância que vai regendo. Também tem frutos, e panóplia de modelos, conquanto a insistência em especificidades frequentemente restrinja ao enfoque em acções e resultados igualmente específicos.
E o mais que tudo, são as páginas todas por dizer, os segundos que foram, tais como este, mas que foram breves demais na absorção.
De Março de 2006, podendo-se encontrar a transcrição aqui.

De Março de 2006:


=== === ===
Ando descuidado comigo. E nisto, quando me reconfiguro para uma tomada de posse, descuido-me um pouco mais ainda e mantenho um pouco mais a confusão.
Hoje fui à Baixa. Estive à espera. Mas nada, ao que, conquanto não estivesse totalmente prisioneiro, também não não estava liberto o suficiente d'um mínimo de inevitabilidade da presença e do adiamento das ideias desregradas. Já cá, perturbei-me de agitação na inconsciência do desejo, porquanto solto e relativamente capaz até estivesse. O mal não é esse, não é o objectivo físico; é a deterioração da identidade a que me proponho, na ligeira alternativa em que procuro ignorar um certo conjunto de pressões, que devia assumir e ignorar, mas por sabedoria, não por ignorância. Blá.
Esta descrição é já desprovida do importante, continua a ser muito superficial, ao nível do macroscópico, da modelação em simples. Há mais variáveis, e a questão é mais subtil.
Tudo demasiado tambores, e tal importa. Tolda o acesso à mente-eu; reobriga à descompressão social, numa próxima ocasião. É ser algo próximo de mim, e QUE SE LIXE.
(Isto foi escrito um bocado à toa e de cor, a tentar recuperar a noção dos meus resultados.)